As escolas estão preparadas para o retorno às aulas?

As escolas estão preparadas para o retorno às aulas?

As escolas estão preparadas para o retorno às aulas?

Desde aspectos emocionais, organização da aprendizagem e questões financeiras é o desafio no “novo normal”

Quase oito meses com a maioria das instituições de ensino fechadas em razão da pandemia, algumas cidades que apresentaram menor índice de contaminação e mortes pela COVID-19 retomaram aulas presenciais com regras de biossegurança, apesar das taxas de evasão escolar e inadimplência altíssimas. Os desafios se desdobram, ao montar novas estratégias de um possível retorno em massa a partir do próximo ano.
Para essas demandas, é preciso avaliar qual o preparo das instituições de ensino nos aspectos do aporte emocional, afinal de contas convivência e relacionamento foram afetados num período longo de isolamento social, e cada qual traz consigo experiências particulares da pandemia, incluindo perda de familiares, amigos e pessoas próximas, tanto causados pelo vírus quanto de outra origem. A forma como escolas, faculdades, cursos estão se reorganizando em aspectos de conteúdo, calendário, rodízio da forma presencial e remota (pois a forma de ensino híbrido é uma realidade de temporária à permanente), além da delicada e não menos importante questão financeira, pela inadimplência sofrida por muitas instituições de ensino.

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Suporte emocional

A psicóloga Luciana Deutscher, trabalha com base na Psicologia Positiva, com foco no bem-estar mental e emocional, que destaca potencialidades essenciais de cada pessoa, acredita num modelo de preparo de toda a equipe multidisciplinar antes de um retorno efetivo. “ Um período de adaptação, para todo o corpo docente e coordenações, se reencontrarem no lugar que conheciam e dominavam, para trocar experiências e dificuldades que tiveram nesse período, pode surgir boas ideias e uma confiança mais estruturada”, sugere Luciana, do que oferecer conversas online em encontros mediados para professores, a fim de proporcionar esse amadurecimento da comunicação para o retorno, sem trazer à tona suas dores e dificuldades e sim propor novas formas de lidar com a nova situação.

Segundo a psicóloga, boas plataformas digitais supriram e entrega do conteúdo e isso deve ser visto num outro momento, quando de fato o retorno foi normalizado. “A nossa cultura diz que só se aprende na escola. Nos anos iniciais a escola tem muito mais um papel de interação social e desenvolvimento da motricidade. Vejo que numa primeira etapa, pelo menos de 15 dias, exceto em níveis universitário, onde predomina uma faixa etária mais madura, do maternal ao terceirão, o foco em atividades de grupos, lúdicas, para encontrar e trocar experiências desse período será muito positivo. Convocar os professores de educação física, das atividades extra-curriculares como dança, profissionais da área de saúde, lazer, instrutores de Yoga e terapias afins para respirar, relaxar e interagir de forma mais leve, e aos poucos, introduzir o programa curricular da escola. Todos os profissionais da instituição devem ser preparados antes e depois em conjunto com os alunos”, analisa.

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Grade curricular

Ainda não há um consenso sobre a organização dos conteúdos e cronogramas na maioria das escolas, até que sejam definitivamente liberadas as atividades presenciais. O Conselho Nacional de Educação (CNE) recomenda a flexibilidade de aprovação escolar, ao considerar a epidemia da COVID-19, situação emergencial e que cabe às instituições promover critérios de avaliações para que o aluno acesse o outro nível.
Outras medidas do CNE sugerem uma fusão dos anos letivos 2020 e 2021 com uma reordenação curricular, para equilibrar os conteúdos, com possível mudança na carga horária e avaliações diagnósticas mais específicas para desempenho dos alunos nos últimos anos, de acordo com processo de cada escola. E a continuidade de aulas remotas, com conteúdos semelhantes ao presencial, pois o modelo híbrido deve ser adotado num primeiro momento.
Objetivando apoiar as instituições de ensino, o Ministério da Educação elaborou o Guia de Implementação de Protocolos de Retorno das Atividades Presenciais nas Escolas de Educação Básica. O documento traz aspectos sanitários, medidas pedagógicas e protetivas contra a transmissão da COVID-19.

Finanças

As instituições de ensino privadas, também foram fortemente impactadas na área financeira, como o enfrentamento do aumento da inadimplência e evasão escolar, além de muitas delas, especialmente as escolas de Educação Infantil fecharem definitivamente suas atividades.
Mesmo com acordo e negociações coletivas ou individuais, muitas famílias também afetadas economicamente pela pandemia, não suportaram os encargos contratuais com a escola, decidindo pela transferência para instituições da rede pública ou obrigaram-se a manter o estudante sem quitar as mensalidades.
A Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep) estima que 95% das escolas de Educação Infantil tiveram contratos cancelados, enquanto a Secretaria de Estado da Educação do Paraná contabilizou 11.697 transferências de março a agosto do Ensino Particular para o Público, no Fundamental 2, Médio, EJA e profissional, segundo matéria da Gazeta do Povo de 31 de agosto.
Dados extraoficiais dão conta de que o índice de inadimplência chegue a 30% dos alunos que permaneceram nas instituições de ensino privado.

Ao entender esses aspectos sensíveis e pontuais para o retorno, podemos situar que esse preparo deve ser realizado desde já, convocando as equipes de trabalho para o suporte emocional e assim lidar com as demais questões de forma lúcida, prática e não menos humanizada. Talvez seja um momento de relações mais estreitas entre instituição, professores, alunos e responsáveis. Um movimento de transição do modelo de Educação.

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